Cerca de 80 mil casos da doença são notificados anualmente pelo Ministério da Saúde no país. Entre as pessoas mais propensas a desenvolver a enfermidade estão as mais claras
Faltam apenas 15 dias para o início do verão e muitas pessoas já pensam em curtir as férias em locais como praias, clubes, cachoeiras e rios. Porém, além dos preparativos para o lazer, é preciso se conscientizar de que a exposição exagerada e sem cuidados ao sol causa danos, como o câncer de pele, responsável por 25% dos tumores registrados no país.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) revelam que esse tipo de câncer é muito comum, até mais que os de mama, próstata e pulmão. Além disso, cerca de 80 mil novos casos da doença são notificados anualmente no território brasileiro. Com o objetivo de orientar a população sobre a enfermidade, suas formas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce, foi realizada ontem a 11ª edição da Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer de Pele.
O mutirão ocorreu em 23 estados, das 8h às 16h. Em Minas Gerais, a população contou com quatro postos de atendimento gratuito, sendo dois em Belo Horizonte, um em Juiz de Fora (Zona da Mata) e outro em Uberlândia (Triângulo Mineiro). Conforme a coordenação estadual do evento, a expectativa é de que o balanço total de consultas e pessoas encaminhadas para tratamento seja divulgado até quarta-feira.
Segundo o coordenador da campanha no Hospital das Clínicas (HC), subcoordenador do serviço de dermatologia da unidade e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD-MG), Claudemir Aguilar, entre 600 e 700 pessoas foram atendidas somente no anexo de dermatologia Professor Oswaldo Costa, que fica no Bairro Santa Efigênia (Região Leste da capital). Desse total, 25% foram encaminhados para exames e tratamento.
Ele ressalta que a cada ano os números de novos casos de câncer de pele aumentam, o que é preocupante. “Por isso, fazemos essa campanha, para aumentar a conscientização da população, justamente no período que antecede o verão. A cada edição do mutirão contra a doença percebemos que boa parte dos pacientes já sabe da importância de se proteger e de evitar o sol. Também fazemos trabalhos de orientação em escolas, para que as crianças criem o hábito de cuidar da pele”, conta Aguilar.
De acordo com o dermatologista, o efeito do câncer de pele é cumulativo, ou seja, é entre a infância e a adolescência que uma pessoa lesa mais o DNA das células. “Nessa fase, há maior exposição ao sol, com índice de radiação entre 80% e 85%. Já começam aqui os prejuízos à pele. Digo que o câncer de pele é plantado na infância, adubado na puberdade e colhido na vida adulta. Contudo, nunca é tarde para começar a proteção.”
Entre as pessoas mais propensas a desenvolver a enfermidade estão aquelas que têm sardas, pele, olhos e cabelos claros; os idosos, pelo tempo de exposição maior ao sol; quem tem casos do câncer na família e queimaduras solares; aqueles que se expõem a arsênio e hidrocarbonetos, bem como as pessoas com incapacidade para se bronzear.
A orientação de Aguilar é para que, ao mínimo sinal de alerta do câncer de pele, procure-se o dermatologista.
ALERTA E PREVENÇÃO
Sinais de alerta
• Ferida que não cicatriza
• Mancha áspera na pele, que nunca melhora
• Pinta que cresce e vai mudando de forma
• Um crescimento na pele de aparência elevada e brilhante, translúcida, avermelhada, castanha, rósea ou multicolorida
Como se prevenir
• Usar filtro solar com fator de proteção 15, no mínimo. O ideal é o fator de proteção 30. Os protetores devem ser reaplicados a cada duas horas. No entanto, se a pessoa trabalha em ambientes que causam sudorese (suor em excesso), esse intervalo deve ser menor.
• Evitar a exposição ao sol das 10h às 16h, no horário de verão, e das 10h às 15h, nas demais épocas do ano.
• Usar bonés, chapéu e óculos escuros.
• Quem for para a praia deve ficar à sombra no horário das 10h às 16h. Isso porque há a incidência dos raios ultravioleta mesmo quando há barracas. Os ultravioleta refletem na água, na areia e atingem a pele.
Fonte: EM






