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Tumores na bexiga

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Depois do câncer de próstata, os tumores de bexiga (carcinomas transicionais de bexiga) representam a neoplasia urogenital mais frequente do homem e a 5a. causa de óbito por câncer em pacientes com mais de 75 anos de idade. 

Apesar de seu comportamento por vezes bastante agressivo, os tumores de bexiga têm sido melhor controlados e os índices de sobrevida destes casos melhoraram significativamente nas últimas décadas. 

Com os avanços em Oncologia, mais de 70% dos pacientes com câncer de bexiga são atualmente curados da doença e este fenômeno tem sido observado até mesmo em casos de neoplasia disseminada, cuja evolução fatal era inevitável até recentemente.A incidência de câncer na bexiga aumenta com a idade e menos de 1% dessas neoplasias ocorrem antes dos 40 anos. 

A doença, que é de 3 a 5 vezes mais frequente em pacientes masculinos, surge anualmente em 6 de cada 100.000 indivíduos com menos de 40 anos e em 150 de cada 100.000 indivíduos com mais de 70 anos.
A distribuição geográfica dos casos de câncer de bexiga não é muito irregular, embora existam países onde sua incidência é bastante baixa, como Japão e Iugoslávia (5 a 7 casos por 100.000 habitantes), e áreas com maior prevalência da neoplasia, como estados Unidos, Inglaterra e Dinamarca (18 a 22 casos por 100.000 habitantes).

Estudos epidemiológicos e experimentações em laboratório permitiram identificar alguns fatores de risco relacionados com o desenvolvimento de câncer de bexiga. Estas situações, que são responsáveis por 30% a 60% dos casos de neoplasia vesical, incluem certas aminas aromáticas (fatores ocupacionais), tabaco e metabólitos do triptofano. 

Outros fatores como o uso de adoçantes artificiais, de café, ingestão de fenacetina, irradiação pélvica e infestação vesical pelo Esquistossoma hematobium, parecem estar relacionados com o aparecimento do câncer vesical, porém a influência precisa destes fatores não foi comprovada de forma clara. Mais recentemente, relacionou-se o emprego de ciclofosfamida com maior incidência de neoplasias vesicais e este fenômeno deverá ser melhor conhecido nos próximos anos.

Fatores ocupacionais: Aminas aromáticas empregadas em indústrias de tintas, couro, borracha, têxteis e gráficas estão comprovadamente relacionadas com o desenvolvimento de câncer vesical. Um estudo epidemiológico realizado no Japão demonstrou que 5,9% dos trabalhadores expostos à aminas aromáticas desenvolvem câncer de bexiga. 

O tempo de exposição ao agente carcinológico nestes pacientes variou entre 6 e 28 anos e o período de latência (início da exposição e aparecimento do tumor) oscilou entre 5 e 45 anos.

Prognóstico do tumor de bexiga baseado no grau de infiltração (Classificação de Jewett) 
    
Estágio A: Crescimento envolve apenas a mucosa e a túnica própria

Estágio B-1: Menos do que a metade da espessura do músculo está envolvida

Estágio B-2: Mais do que a metade da espessura do músculo está envolvida

Estágio C: Penetração completa da parede da bexiga 
 
Estágio A Estágio B-1 Estágio B-2 Estágio C 

Prognóstico bom Prognóstico ruim
Em 1955, Holsti e Ermala demonstraram que o alcatrão do tabaco produzia câncer em camundongos e, depois disso, numerosos estudos epidemiológicos implicaram o hábito de fumar cigarros com risco de 2 a 6,4 vezes maior de aparecimento de câncer de bexiga, principalmente em mulheres. 

O hábito de fumar cachimbo ou charuto não se relaciona aparentemente com maior incidência de câncer de bexiga. É interessante notar que o uso de cigarros com filtro não reduz os riscos de câncer.

Risco relativo de aparecimento de câncer de bexiga em relação ao consumo de cigarros
Categoria Homem Mulher 
não-fumantes 1 1 
Fumantes   
1 maço / dia 1,4 4,3 
2 maços / dia 4,7 6,2 
ex-fumantes 1,5 3,4

Carcinoma epidermóide de bexiga (tumores não transicionais):
Entre 3% a 8% dos casos de câncer de bexiga enquadram-se em uma condição particular denominada de carcinoma epidermóide de bexiga. Nestes casos o tumor desenvolve-se nas células escamosas da bexiga e apresentam um comportamento biológico bastante diferente do outro tipo de câncer (carcinoma transicional). 

Ao contrário dos carcinomas transicionais, os carcinomas epidermóides predominam no sexo feminino na proporção 3:2 e isto deve-se, provavelmente à associação entre estas neoplasias e infecções urinárias crônicas, frequentes em mulheres. Os carcinomas epidermóides se manifestam em adultos, com casos descritos entre 37 e 84 anos, principalmente na quinta e sexta década de vida.

Os carcinomas epidermóides de bexiga são mais raros em países ocidentais e bastante frequentes em países do Oriente Médio (Egito, Iraque, Arábia Saudita e partes da África), onde sua incidência chega a prevalecer sobre os carcinomas transicionais de bexiga. Esta forma de distribuição geográfica relaciona-se com a alta incidência de esquistossomose vesical (bilharíase), que está relacionada com o aparecimento dos carcinomas epidermóides.

O aparecimento deste tipo de carcinoma relaciona-se com irritação vesical e, por isso, ocorre em casos de infecção urinária crônica, uso prolongado de sonda de Foley, litíase vesical não-tratada e esquistossomose vesical. Pacientes com lesão de medula espinhal apresentam uma incidência de carcinoma epidermóide de bexiga que é cerca de 460 vezes maior que a da população normal.

Neobexiga 
A neobexiga ou bexiga ileal é o último artifício nos tumores de bexiga infiltrativos. Até lá, existem outros procedimentos (pergunte ao seu urologista) como o BCG (terapia tópica com BCG), cistectomia parcial (retirada da parte tumoral da bexiga), re-ressecção do tumor, sendo todos preferíveis à cistectomia + neobexiga. 

Se for um tumor infiltrativo e se chegarmos à indicação de uma neobexiga, a vida do portador será muito próxima do normal, pois o intestino reconstruído como bexiga, é um ótimo reservatório para a urina, apenas não se contrai como a bexiga, o que necessita de autocateterismo muitas vezes. 

O transplante de beixga não é realizado porque o intestino cumpre bem a função por toda a vida do portador, o que não acontece com outros transplantes (rim, coração, pulmão) que duram com muita medicação, de cinco a dez anos, à exceção dos gêmeos idênticos.  O ideal é que o urologista trate os cânceres urológicos, pois as condutas entre oncologista e urologista, diferem.

 

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