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Doença de Alzheimer

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As demências constituem-se atualmente num dos mais graves grupos de condições clínicas a acometer as populações mais idosas. Nas últimas décadas, com o controle adequado de doenças como a hipertensão arterial, as infecções, o tabagismo etc., a humanidade vem aumentando seu tempo de vida e a média de sobrevida dos indivíduos tem sido progressivamente maior. Isto tem permitido que em todo o mundo aumente o número de casos de demência. A doença de Alzheimer, causa mais freqüente da demência, ocorre predominantemente em pessoas acima dos 65 anos de idade.

A doença de Alzheimer se caracteriza pela perda progressiva de funções intelectivas, isto é, o indivíduo vai apresentando alterações na memória, primeiramente não se recordando de fatos recentes, como onde deixou um molho de chaves, um documento que guardara, um compromisso agendado etc. Passa também a ter dificuldade para executar tarefas do cotidiano, como ir ao supermercado para fazer as compras, estabelecer cálculos simples como o de dar o troco, preencher cheques bancários etc. 
A leitura fica igualmente prejudicada, pois não retendo na memória o que leu, passa a ter dificuldade para compreender o texto em seu significado. O não se recordar de um amigo que reencontra casualmente também é fato marcante. Progressivamente, vão surgindo problemas na utilização do vocabulário e o paciente começa a ter dificuldade em denominar objetos e pessoas, com erros ao tentar realizar tarefas simples como se vestir, tomar banho, usar os talheres adequadamente para se alimentar.

A esse conjunto de manifestações clínicas, denominamos estado demencial. A demência, no entanto, não ocorre exclusivamente pela doença de Alzheimer. Inúmeras são as causas que podem determiná-la.

Entre os mais jovens, a causa mais comum é a AIDS. O quadro clínico da encefalopatia pelo HIV se caracteriza por um quadro demencial. Nos mais velhos, o mais comum é a doença de Alzheimer, seguida da demência por múltiplos infartos cerebrais. É muito importante estabelecer-se o diagnóstico correto, pois algumas condições que podem manifestar-se com quadros clínicos sugestivos de demência podem ter tratamento específico, com recuperação completa e cura do paciente. 

Neste grupo, encontramos o hipotireoidismo, a carência de vitamina B12, o hematoma subdural crônico (complicação de traumatismos cranianos), tumores cerebrais, infecções cerebrais crônicas, a hidrocefalia de pressão normal (dilatação de cavidades conhecidas como ventrículos cerebrais por dificuldade na absorção do líquor).

A doença de Alzheimer, bem como as outras formas de demência, necessitam, além do exame clínico e neurológico completo, que o paciente se submeta a testes psicométricos (sistema de perguntas e respostas que avaliam as funções mentais superiores). Vários exames de laboratório e a tomografia computadorizada (ou ressonância magnética) do crânio também podem ser úteis. Com esses elementos o neurologista terá condições de tratar o paciente baseado no diagnóstico da causa da demência. 

No tratamento da doença de Alzheimer, emprega-se atualmente medicamentos como o ácido tacrínico, que busca melhorar o teor cerebral de acetilcolina, substância importante para a comunicação entre as células nervosas. Não tem havido, no entanto, grande sucesso. Muito importante no cuidado ao paciente com demência é a presença constante ao seu lado de pessoa responsável para evitar acidentes. O doente demenciado pode, por exemplo, ligar o gás do fogão ou do aquecedor e se esquecer que o fez, causando sérias complicações; pode ir para a rua sozinho e não mais acertar o endereço de casa para voltar etc.

Existe a Associação de Alzheimer (APAZ), dirigida pelo Dr. Jacob Guterman, que busca auxiliar as pessoas que têm pacientes com Alzheimer sob sua responsabilidade, os cuidadores, com excelente resultado não só no esclarecimento sobre fatos importantes da doença, bem como na troca de experiências sempre esclarecedoras.

O que é?
A demência é a deterioração das funções intelectivas como: memória, pensamento, orientação, compreensão, cálculo, capacidade de aprendizagem, linguagem e julgamento. Entre dezenas de diferentes causas, a mais comum é a doença de Alzheimer, com aproximadamente 65% do total das demências.

Quais as características da doença?
No início, os hábitos mesmo há muito tempo cultivados podem começar a se deteriorar, como o da higiene pessoal e da toalete, da alimentação e o trabalho. O prejuízo da memória é aproximadamente linear, começando pelos fatos mais recentes e perdendo por último as recordações mais antigas.
 
É no aprendizado de tarefas novas onde melhor se avalia o início da demência, porque o esquecimento como fato isolado não é suficiente para realizar o diagnóstico. Com os prejuízos nas atividades mentais, o comportamento geral se altera, podendo tornar-se inconveniente, de cunho obsceno ou grosseiro, por exemplo. 

Quem pode ficar demente?
Por questões de definição, qualquer pessoa pode tornar-se demente, desde uma criança até um idoso. Independentemente da causa, qualquer um que venha a sofrer uma perda abrupta ou gradual das funções mentais acima mencionadas, enquadra-se no diagnóstico. Um jovem que sofra um acidente de carro com danos mentais irreversíveis poderá se tornar um jovem demenciado.

Tratamento
A maioria das demências ainda não tem tratamento, mas há algumas, como as causadas por deficiências hormonais, que podem ser revertidas quando detectadas a tempo. A maneira mais certeira de se descobrir uma demência ainda no começo é fazendo testes neuropsicológicos.

Prof. Sérgio Pereira Novis - Chefe do Serviço de Neurologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ (HUCFF)

 

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