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Boa notícia para os portadores de ceratocone

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“Recuperei a minha visão em 100%. Se antes não enxergava a placa do carro na minha frente, hoje já consigo ver quem é o motorista. A mudança no meu dia a dia foi total”, conta a paciente Janice Ribeiro, que recentemente passou a fazer uso das lentes esclerais para o tratamento de ceratocone.

Ainda pouco conhecida no Brasil, essas lentes surgiram nos Estados Unidos há três anos, desenvolvida pela Universidade do Colorado, como uma importante opção para reabilitação visual.

Pioneiro no uso das lentes esclerais em Belo Horizonte, o oftalmologista Leonardo Gontijo, diretor da Oftalmológica Laser e assistente da Clinica de Olhos da Santa Casa de BH no setor de Córnea, Lentes de Contato e Cirurgia Refrativa, explica que as lentes podem corrigir diversos problemas da córnea, entre eles o ceratocone.

“Na nossa experiência brasileira de mais ou menos um ano e meio, pudemos observar que a lente é especialmente boa não só para casos graves e moderados de ceratocone, como também para os de degeneração pelúcida e para casos de olhos com irregularidades corneanas pós-transplantes de córnea”, explica o Gontijo.

Janice optou pelo uso das lentes por recomendação do médico. No início, a paciente resistiu devido à dificuldade que ela tinha de adaptação às lentes rígidas. “Com as lentes esclerais foi totalmente diferente. Nem sinto que estou com elas. Coloco quando acordo e só vou retirá-las à noite”, diz Janice.

De acordo com Gontijo, as lentes esclerais não geram qualquer incômodo, dando a sensação ao usuário de lentes de contato gelatinosa. “Seu diâmetro é grande e se apoia sobre a parte branca mais externa à córnea, chamada esclera, o que dá a sensação de conforto. Essas lentes dificilmente saem dos olhos ou permitem que ciscos adentrem e incomodem como nas lentes rígidas comuns”, ressalta.

Pesquisa
Em recente pesquisa nos Estados Unidos, observou-se que mais de 90% dos usuários deste tipo de lente se mostraram satisfeitos tendo, portanto, obtido uma solução para seu problema visual sem necessidade de se submeterem ao transplante de córnea ou Anel de Ferrara. “Se houver uma boa adaptação, o paciente não necessitará do transplante de córnea”, destaca o oftalmologista. Atualmente, dos pacientes que possuem ceratocone na forma mais avançada, cerca de 40% estão na fila de espera para transplante.

Para o médico, essas lentes vão se tornar, com o tempo, um padrão de tratamento até que alguma outra técnica possa superá-la. Mas, para Janice, voltar a enxergar bem já mudou completamente a sua vida. “Hoje sou outra pessoa. Até a minha auto-estima melhorou. Sinto que estou praticamente curada do ceratocone”, fala com entusiasmo.
Entenda o ceratocone

O ceratocone é uma condição degenerativa e progressiva da córnea com padrões hereditários de transmissão. Tipicamente, é caracterizado por um afinamento e encurvamento progressivo da córnea central ou inferior. Essa alteração provoca deformação das imagens, com aumento da miopia, astigmatismo regular e astigmatismo irregular. Nos casos mais avançados, o ápice dessa área abaulada adquire o formato aproximado de um cone, o que explica a origem do nome: "cerato" (= córnea) cone.

O indivíduo com ceratocone apresenta sintomas frequentes como coceira nos olhos, visão dupla, distorcida ou embaçada, mudança do grau dos óculos e aversão à luz. Podem ocorrer também dores de cabeça. A falta de informação, o diagnóstico tardio e os tratamentos inadequados podem ser os principais vilões da doença, sendo responsáveis pelo aumento do número de casos crônicos. Nos últimos 15 anos, o registro de ceratocone aumentou significativamente no Brasil. O maior medo entre os pacientes é a perda da visão.
 

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