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Pesquisa sobre Sepse

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As recomendações atuais sobre a sepse (conjunto de manifestações graves em todo o organismo produzidas por uma infecção) devem ser repensadas. Os cuidados, que podem ajudar a reduzir a causa de 1/3 de todas as mortes hospitalares, devem ser focados para a sua diminuição, envolvendo pesquisa, treinamento e sensibilização de setores da sociedade.


Em uma novo estudo publicado no periódico The Lancet Infectious Diseases, o professor Jonathan Cohen, da Brighton & Sussex Medical School (Reino Unido), descreve o estado atual da investigação sobre esta condição, ainda pouco compreendida, e apontam áreas prioritárias para futuras investigações. “A sepse é tanto um dos mais conhecidos, quanto um dos distúrbios mais mal compreendidos. É uma das condições médicas mais complicadas na rotina da prática clínica”.


A equipe da Brighton & Sussex Medical School apresentou um roteiro para futuras pesquisas em sepse, destacando uma série de fatores críticos que precisam mudar para melhorar o tratamento e diagnóstico de sepse. As recomendações incluem priorização nas pesquisas de biomarcadores, o que permitiria o diagnóstico mais rápido; melhor educação dos profissionais e sensibilizar a opinião pública para garantir o reconhecimento mais cedo da doença; repensar o foco dos ensaios clínicos; reconhecer que a sepse afeta pacientes de diferentes formas e usar a genética moderna para desenvolver tratamentos direcionados (medicina personalizada); e garantir que as universidades e as empresas farmacêuticas não abandonem a investigação de novos tratamentos e novas drogas.


A sepse é uma condição comum em que uma infecção provoca uma resposta imune extrema, resultando em inflamação generalizada, coagulação do sangue e inchaço. Entre os sintomas mais comuns estão febre e respiração rápida. Se não tratada, pode levar à falência de órgãos e à morte. Embora não exista cura específica para a doença, muitos casos podem ser tratados de forma eficaz com cuidados médicos intensivos, incluindo antibióticos e fluidos intravenosos, se identificado precocemente.


“O número de pessoas que morrem de sepse a cada ano – talvez até seis milhões em todo o mundo – é chocante, mas a investigação de novos tratamentos para a doença parece ter parado”, alertou o professor Cohen, no estudo. “Pesquisadores, clínicos e políticos precisam repensar radicalmente a maneira como estamos pesquisando e diagnosticar esta condição devastadora”.

Embora estudos ainda sejam escassos, há indícios de que além da alta taxa de mortalidade por sepse, os pacientes têm sido expostos ao risco de doenças crônicas de longo prazo, deficiência física e/ou mental. Por isso, os pesquisadores têm pouca evidência disponível para basear planos de cuidados de longo prazo para esses pacientes.


No Brasil, a doença é a principal geradora de custos nos setores público e privado, devido a necessidade de utilizar equipamentos sofisticados, medicamentos caros e exigir muito trabalho da equipe médica. Cerca de 398 mil casos ocorrem anualmente, sendo a doença responsável por 25% da ocupação de leitos em UTIs no Brasil. A sepse é a principal causa de morte nas UTIs e uma das principais causas de mortalidade hospitalar tardia (após a alta hospitlar), superando o infarto do miocárdio e o câncer.


A taxa de mortalidade no país, conforme levantamento da entidade Sepsis Latin America, é de 65% dos casos, enquanto a média mundial fica entre 30% e 40%. Segundo um levantamento feito pelo estudo mundial conhecido como Progress, a mortalidade da sepse no Brasil é maior que a de países como Índia e a Argentina.

 

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