Falta leite materno

Sex, 27 de Fevereiro de 2009 08:42
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Estoques do Hospital Odilon Behrens e da Maternidade Odete Valadares, em BH, estão baixos e precisam de reforço. Mães que amamentam, não fumam e não bebem podem contribuir

Enfermeira Marzi de Abreu mostra geladeira praticamente vazia, no Odilon Behrens, onde há apenas quatro litros para alimentar bebês até terça-feira
Na porta do Banco de Leite do Hospital Municipal Odilon Behrens, no Bairro São Cristóvão, na Região Noroeste de Belo Horizonte, o cartaz adverte: “Para você é leite, para a criança é vida.” Apesar do aviso, a maternidade continua sofrendo com a escassez de leite humano. 

Ontem, havia apenas quatro litros armazenados no freezer, o suficiente para alimentar os bebês somente até terça-feira. A cada mês, são necessários 30 litros de leite materno, mas há um déficit de cerca de 30%. As doações rendem 19 litros/mês, em média. O restante é conseguido em outros bancos ou é usado o leite artificial. 
 
Atualmente, a instituição tem capacidade de oferecer leite humano a 10 recém-nascidos, enquanto a meta é atender todos os bebês prematuros e com problemas de aleitamento, que podem chegar a 50. “Nossa maternidade é de alto risco. Os bebês são prematuros, geralmente, e o leite materno é fundamental para ajudar na sobrevida”, ressalta a coordenadora do banco de leite, a enfermeira Marzi Roque de Abreu. Na matemática da falta, são priorizados os recém-nascidos de peso inferior a 1,250kg. Os demais recebem leite artificial.

Segundo a enfermeira, o banco conta com cerca de 15 doadoras. Somente quatro são fixas, embora a maternidade ofereça a facilidade de buscar o leite na casa da pessoa. Há duas semanas, Tatiana Paulo de Souza, de 17 anos, deu à luz a Pablo Henrique, que nasceu prematuro de 8 meses e, desde então, se tornou uma doadora. “Tiro todo o leite que consigo. Dá para o Pablo e ainda um tanto para outros bebês”, afirma.

Problema semelhante vive a Maternidade Odete Valadares, no Bairro Prado, Oeste de BH, centro de referência para banco de leite humano no estado. Para se ter uma ideia, em novembro, o número de doadoras foi de 257, mais que o dobro deste mês, 117. Em fevereiro, 67 bebês foram alimentados com 227 litros de leite humano. “Não existe um volume ideal de leite, quanto mais melhor. Mas os estoques estão bem abaixo da expectativa. No ano passado, devido à uma campanha de conscientização, nossos estoques aumentaram. Com as férias, as doações diminuíram muito. Já chegamos a trabalhar com um estoque de 600 litros, em 2000”, diz a chefe de serviço do banco de leite da Odete Valadares, Maria Hercília de Castro Barbosa. 

Além dos dois hospitais na capital, Minas Gerais tem seis bancos de leite: em Araxá, Betim, Juiz de Fora, Varginha, Uberlândia e Uberaba. Neles, são realizadas a coleta, análise microbiológica e pasteurização do leite. O último processo torna as doações aptas para o consumo dos bebês. Para suprir a escassez dos estoques, os bancos têm estabelecido parcerias para trocar o leite entre si.

 A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida. Entretanto, como afirma Maria Hercília, “por falta de orientação ou por trabalharem fora, muitas mães desmamam as crianças precocemente. Os bebês acabam tendo intolerância a outros leites e têm que voltar a receber o leite humano”. 

Marzi de Abreu também ressalta que o emocional da mãe influi no aleitamento materno. “Infelizmente, mitos, como a dor e de que, ao amamentar, o peito “cai”, impedem o aleitamento materno. É um período delicado para a mulher. Ninguém amamenta sozinha, a família deve apoiá-la”, afirma.

CANDIDATAS A DOAR
• Mães saudáveis, que estejam amamentando o próprio filho e tenham excesso de leite
• Mulheres não-fumantes e que não consomem bebida alcoólica
• As mulheres devem apresentar o cartão de pré-natal com todos os exames negativos
• As doadoras não podem ter tido hepatite nem serem portadoras do vírus da Aids

AJUDE
• Banco de Leite do Hospital Odilon Behrens: (31) 3277-6137
• Banco de Leite da Maternidade Odete Valadares: (31) 3298-6008 ou 3337-5678