A lipo sem aspiração

Qua, 18 de Fevereiro de 2009 13:21
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Apesar dos progressos obtidos nos últimos anos - e eles são muitos -, a lipoaspiração continua a ser uma cirurgia como qualquer outra. Trata-se de um procedimento invasivo, que comporta riscos, causa dores e requer um período de recuperação. Milhares de pessoas, no entanto, são induzidas a pensar que fazer uma lipoaspiração é tão simples como ir ao cabeleireiro. Só caem na real (para logo depois voltar ao terreno da fantasia) quando sai a notícia de que um paciente morreu vitimado por uma cânula. A boa-nova é que a ciência está se movendo para tornar, de fato, a lipoaspiração um método tão invasivo quanto cortar o cabelo. 

Um passo nesse sentido é a máquina Ultrashape. Não há cânulas nem agulhas no procedimento. Apenas ondas de ultra-som, utilizadas para destruir a gordura localizada - que, depois, é eliminada gradualmente pelo organismo. "Dá para mudar o manequim em três sessões", diz a dermatologista paulista Shirlei Borelli. Uma das mais entusiasmadas com o Ultrashape é a atriz Deborah Secco. Pois é, ela não está satisfeita com a silhueta. "É para tirar aquelas coisinhas que incomodam e só você vê", diz. A "coisinha", no caso de Deborah, é uma gordurinha localizada entre os seios e as axilas. A atriz está na lista de espera do consultório da dermatologista carioca Karla Assed, que importou a máquina.
Os resultados estão longe de ser os mesmos de uma lipoaspiração clássica. Enquanto a máquina elimina em média 300 gramas de gordura por sessão, com a lipo tradicional é possível subtrair até 4 quilos de uma única vez. Pode-se, evidentemente, fazer várias sessões de Ultrashape. Mas o tratamento só pode ser repetido a intervalos de um mês - o tempo necessário para que o organismo se livre da gordura destruída pelas ondas de ultra-som. Cada sessão dura cerca de uma hora e meia e os preços variam de 1.200 a 2.000 reais. Dói no bolso, mas o corpo não sente nada.

"As pesquisas para encontrar um método não invasivo de eliminação de gordura estão completando uma década. Sem dúvida, o Ultrashape representa um bom avanço", diz o cirurgião plástico João Carlos Sampaio Góes, de São Paulo. A máquina funciona do seguinte modo: por meio de ondas sonoras de alta potência e baixa freqüência, como aquelas utilizadas para destruir pedras nos rins, ela quebra as células de gordura em pequenos pedaços. A seguir, esses fragmentos são transportados, pelo sistema linfático e pela corrente sanguínea, até o fígado, onde se transformam em colesterol e energia para o organismo. 

Os estudos clínicos realizados até agora não indicaram um aumento substantivo nos níveis de colesterol e triglicérides entre os pacientes submetidos ao Ultrashape. Isso porque a quantidade de gordura retirada pela nova técnica é pequena. "Uma vez no fígado, não há diferença entre a quantidade de gordura eliminada pelo tratamento e a que é obtida numa refeição", afirma Sampaio Góes. "Pode-se dizer que cada sessão libera uma quantidade de gordura semelhante à de uma feijoada", diz. Ainda assim o fabricante não recomenda o uso do Ultrashape a vítimas de doenças hepáticas e metabólicas e portadores de marca-passo ou próteses na área a ser tratada.

O método de derreter as células de gordura por meio de ondas sonoras começou a ser desenvolvido por médicos israelenses em 2002. Hoje, a máquina já está sendo usada em 37 países. Em agosto passado, no Congresso da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, foi apresentado um estudo americano com 137 pacientes que utilizaram o Ultrashape. Ele atestou a sua segurança e concluiu que basta uma aplicação para diminuir medidas indesejáveis em 2 centímetros, em média. Duas inovações tecnológicas permitiram a criação dessa lipo sem cortes (ela é chamada assim comercialmente). 

A primeira foi o desenvolvimento de um ultra-som mais preciso, projetado para atingir exclusivamente as células de gordura, sem queimar pele, músculos, vasos ou nervos. A segunda inovação foi um programa de computador que mapeia a área a ser trabalhada. Um sensor óptico guia o médico durante todo o tempo, indicando os alvos a ser atingidos pelo ultra-som. Não há risco, assim, de um mesmo local ser bombardeado mais de uma vez, o que poderia levar ao surgimento de irregularidades na superfície da pele.