Americanos aprovam nova droga contra obesidade

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Um painel de especialistas da FDA (agência de controle de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos) recomendou nesta quarta-feira a aprovação do Qnexa, um novo remédio contra a obesidade. A FDA não é obrigada a seguir as orientações do painel de especialistas, mas geralmente acata suas sugestões.

Por 20 votos contra 2, o painel recomendou à FDA que aprove a venda do Qnexa, revertendo sua última avaliação, em 2010, que rejeitou o medicamento por razões de segurança.
Fabricado pela empresa de biotecnologia da Califórnia Vivus, o Qnexa é a primeira droga contra a obesidade apresentada à FDA em mais de dez anos.

Na prática, o Qnexa não representa uma substância nova, mas a combinação de substâncias já aprovadas para uso nos EUA. A nova droga reúne a fentermina --derivado da anfetamina que inibe o centro da fome no cérebro-- e o topiramato, um anticonvulsivo indicado para epilepsia e enxaqueca.

O topiramato também parece ser capaz de diminuir a compulsão pelo consumo de comida. Justamente por isso, estima-se que metade das prescrições desse medicamento nos EUA seja "off-label" (fora das indicações da bula) para o combate a casos de obesidade.

A novidade é que farmacêutica Vivus resolveu juntar oficialmente os dois remédios para emagrecimento. A companhia já tinha tentado aprovar o Qnexa há dois anos.
A droga foi recusada pelo FDA por riscos de defeitos congênitos em bebês de mulheres que engravidaram durante o tratamento e de problemas cardiovasculares.

Nos últimos dois anos, três medicamentos contra obesidade, incluindo o Qnexa, foram reprovados pelo FDA. Há 13 anos os EUA não aprovam um novo emagrecedor.
O laboratório Vivus, após a reprovação, pesquisou o Qnexa em mais de 2.400 pessoas obesas ou com sobrepeso, que tinham doenças associadas, como hipertensão.

Estudar esse tipo de doença é importante porque parte dos emagrecedores aumenta a pressão arterial e a incidência de derrames. O estudo indicou que os pacientes perderam cerca de 10% do seu peso em um ano.
De acordo com especialistas, emagrecedores que conseguem reduzir mais do que 5% de peso já são considerados bastante promissores.

A pesquisa foi conduzida pela Universidade Duke e financiada pela Vivus, que pretende comercializar a droga. Os resultados foram publicados em abril de 2011 no periódico médico "Lancet".
NO BRASIL

Mesmo se aprovado nos EUA, o medicamente não deve chegar às farmácias brasileiras. Isso porque o uso da fentermina e outras anfetaminas contra a obesidade foi proibido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no ano passado.
A agência também impôs restrições à venda de inibidores de apetite com sibutramina. Médicos, laboratórios e farmácias devem notificar efeitos colaterais relacionados ao uso desses remédios.